Este projeto dedica-se à partilha das experiências cinematográficas, em paralelo com a divulgação, quer da programação do cineclube, quer de atividades relacionadas com o cinema (estreias, festivais, programas, conteúdos, outros cineclubes, etc.). Por isso, associado ao cineclube, esteve e estará um blogue que tem como finalidade focar os principais objetivos do projeto: a exibição, a discussão, a crítica, a aprendizagem e a divulgação da sétima arte.
O cineclube nasceu com o intuito de contribuir para uma comunidade mais completa, onde os espaços de formação e intervenção cultural são preservados, fomentados e apoiados, de forma a corresponderem às necessidades culturais dos cidadãos.
Perfeitamente conscientes das lacunas existentes no Grande Porto, no que se refere ao subaproveitamento do espólio cinematográfico, entendemos a atividade cineclubista como um meio de combater esta enorme crise de oferta cultural.
Desde o supracitado mês, as sessões do uáuá Cineclube realizaram-se todos os domingos pelas 21 horas no auditório G.D.M. Flor de Infesta, tendo atingido uma assistência de, em média, 20%. Até hoje, o cineclube subsistiu devido à paixão da equipa pelo cinema, pela partilha, pelo diálogo e pela comunidade. Sentimo-nos gratos pelas
160 pessoas que visitaram as sessões do uáuá Cineclube (totalizando cerca de
440 ingressos ao longo deste período), pelos cerca de
400 fãs da página de facebook e pelas
3200 visitas ao blogue. Isto são apenas números, mas refletem o interesse e excelente acolhimento que tivemos por parte da comunidade. Salientamos, ainda, que para que a paixão pelo projeto não esmorecesse, em muito contribuiu o reconhecimento de várias personalidades da área cinematográfica das quais destacamos algumas:
Rodrigo Areias (realizador de “Estrada de Palha”),
Rafael Antunes (realizador de “Lápis Azul”),
José Moreira (ator) e
Valdemar Santos (ator), sendo estes dois últimos elementos responsáveis pelos momentos de poesia do cineclube.
Flor de Infesta suspende uáuá Cineclube
No passado dia 26 de setembro, o uáuá Cineclube foi informado da suspensão da sua atividade, de forma inesperada, e através de um e-mail dirigido a um dos elementos da equipa. No referido e-mail, não vem mencionada a razão pela qual, de forma unilateral, a instituição Flor de Infesta decidiu em sede de direção a suspensão de atividade do uáuá Cineclube. A equipa integrante do cineclube ficou surpresa com a decisão, tendo em conta o resultado da reunião presencial entre o presidente da referida instituição (António Augusto) e o responsável do cineclube (Zézé Almeida), a 23 de setembro, pelas 15 horas. Nessa reunião, não se declarou qualquer intenção – de ambas as partes – de cessação, nem do protocolo, nem das atividades do cineclube.
Tendo em conta estes aspetos, a equipa do cineclube viu-se forçada a interromper a continuação do projeto, no auditório G.D.M Flor de Infesta.
Ao longo de todo este tempo, o Flor de Infesta não contribuiu para a divulgação deste projeto em nenhuma das suas plataformas (site, página de facebook, correio eletrónico e suporte gráfico). Lamentamos este facto, já que as únicas ajudas que solicitámos em protocolo aprovado pela direção (consta em ata) foram: a cedência das infra-estruturas, bem como a divulgação.
Não queremos deixar de realçar que, com este projeto, a instituição beneficiou em vários aspetos, sendo a sua infra-estrutura dinamizada com o conteúdo que o uáuá Cineclube proporcionava, aos domingos, quando a agenda do espaço era quase inexistente. Além disso, o projeto devolveu à cidade de S. Mamede de Infesta o cinema, após 20 anos.
Lembramos que o cineclube subsistiu, única e exclusivamente, devido à paixão da equipa pelo cinema e ao seu investimento económico no mesmo.
Por todos os aspetos mencionados, julgamos que estas decisões impedem a comunidade local de ter acesso à cultura, de forma livre e de baixo custo. Pensamos também que desvalorizar as iniciativas positivas de alguns cidadãos para enriquecer a partilha da cultura, nas localidades, desmotiva e não pode trazer nada de bom.